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No
principio da idade Média, apareceu no Mediterrâneo, uma vela
triangular, alinhada com o eixo Longitudinal do casco,
contrariando a até aí utilizada, que era perpendicular ao mesmo
eixo e de configuração quadrada, chamada Redonda, por ao longe
parecer redonda. Não se sabe quem a utilizou pela primeira vez.
Árabes, Indianos ou até Indonésios, são apontados como os
percursores de tal sistema que permite à embarcação navegar
contra o vento a uns 50 ou 60 graus.
No século XII, o poder naval no Mediterrâneo repartia-se entre
Génova, Pisa, Veneza, Marselha e Barcelona, que com os seus
navios mercantes pesados e bojudos, mais ou menos semelhantes,
pois a evolução da construção naval não sofrera qualquer
melhoria, limitavam-se a seguir os traços clássicos das naus
romanas, governadas por lemes laterais.
Já no século X, os árabes usavam no Mediterrâneo uma embarcação
robusta, de formas finas, pouco alterosa e de fraco calado,
usada na pesca e no transporte de géneros, chamada “Caravo”, que
armava com uma vela latina. Com a ocupação da Península Ibérica,
é de prever que este tipo de embarcação tenha vindo com os
invasores, e tenha chamado a atenção dos armadores da costa do
Atlântico, devido às suas qualidades náuticas.
Os Portugueses introduziram grandes
melhoramentos nos “Caravos” e muito antes que a Europa tivesse
tido conhecimento desta nova nave, já elas operavam na costa
Atlântica, aparelhando com um ou dois mastros latinos, e
deslocando não mais que 60 toneladas com uma tripulação de 10 a
12 homens. Eram as Caravelas, mais conhecidas por “Pescarezas”.
A primeira referência ao nome Caravela, surge no foral de Vila
Nova de Gaia, doado em 1255 pelo rei D. Afonso III.
Durante mais de 450 anos a caravela tornou-se célebre pelo
mundo. Em 1575 escrevia o escritor Escalante de Mendonça: ... “
a Caravela Portuguesa foi a melhor invenção que até ao tempo se
alcançou para a navegação de bolina”.
A palavra Caravela parece ser o diminutivo de “Caravo”.
A Caravela Portuguesa foi o navio escolhido
para a demanda dos Descobrimentos, substituindo as barcas e
barinéis. O arqueólogo Espanhol Fernandez Duro, refere-se no seu
estudo sobre Caravelas assim: “No fueron exclusivas de los
españoles, antes cobraron fama Universal las de Portugal, donde
talvez se iniciaron y las adoptaron las más de las naciones
marítimas”. Mestres de bolinar, os Portugueses, mantiveram,
durante muitos anos, o segredo desta arte no Oceano. Por isso
chegaram até ao Cabo da Boa Esperança, sem a concorrência do
resto da Europa, que temia o mar sem fim, e coberto de monstros
e lendas que não deixavam os navios de velas redondas
regressarem. |
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A vida a bordo era de uma dureza atroz. Os homens
viviam num ambiente constantemente molhado. A alimentação era à
base de biscoitos, peixe seco ou salgado, toucinho salgado,
azeite, vinagre, vinho e água.
O leme era de difícil manejo e exigia muita concentração. Os
homens dormiam onde podiam. Por vezes era necessário encalhar o
navio para o beneficiar abaixo da linha de água (querenar). Eram
homens duros e determinados.
Boas bolineiras, mas não tão boas com vento de popa, as
Caravelas colmataram esta falha substituindo a vela principal
por uma redonda.
Era a maneira de puderem acompanhar as naus.
Mais tarde os Portugueses associaram estes dois tipos de
velas...
Aproveitando a sua velocidade, as suas qualidades evolutivas e o
seu reduzido tamanho. D. João II transformou a Caravela num
excelente navio de guerra, armando-a com artilharia pesada, que
disparando projécteis a arrasar as água, provocavam grandes
estragos nas grandes Naus.
As Naus, que até aí só usavam artilharia ligeira, nada podiam
fazer contra tão pequeno e rápido navio, e, por isso, a Caravela
Portuguesa tornou-se o terror dos mares.
Começaram por usar canhões amarrados a troncos de madeira de
difícil manejo. Rapidamente os canhões foram evoluindo, tendo
sido a artilharia portuguesa a melhor do Mundo.
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Depois de dobrado o Cabo da Boa Esperança, reconheceu-se que a
Caravela era demasiado ligeira para afrontar tais mares, e que o
seu aparelho latino, requerendo cuidados especiais na sua
manobra, não estava indicado para viagens longas. Para
acompanhar as armadas para a Índia, esta teve de aumentar de
tonelagem, que chegou a atingir as 200 toneladas e armar-se
melhor.
Nos finais do Século XVI a artilharia de uma Caravela de 160
toneladas consistia em: 2 esperas (colibrinas de 1292 Kgs cada);
4 pedreiros (764 Kgs cada); 6 falcões (430 Kgs cada) e 6 berços
(96 Kgs cada).
Os falcões e os berços tinham 18 câmaras de pólvora amovíveis,
cada um.
Na sua evolução a Caravela aumentou o número de mastros e passou
a usar o mastro da proa (traquete) com velas redondas. Para se
distinguirem das Caravelas Latinas passaram a chamar-se
“Redondas”.
Foi na armada de Afonso de Albuquerque a Malaca em 1510 que este
navio fez a sua aparição.
A Caravela Redonda, teve grande importância e podia ser
encorpada nas Armadas. Reunia as qualidades de navegações da
Caravela, e a potência de fogo de uma Nau de linha.
Aplicaram-lhe um castelo à proa. O armamento aumentou. Há
documentos, que indicam que o armamento de uma destas Caravelas
da Armada era de vinte bombardas, seis camelos ou canhões
pedreiros e doze falcões (peças de 700 Kgs, que lançavam balas
de 800 grs).
Estas Caravelas, foram as percursoras do galeão.
Por ser muito bolineira e rápida, velejando a favor e contra o
vento a Caravela na sua versão mais pequena foi usada durante
largos anos, como navio explorador, de vigilância ou para
transmissão de ordens – eram as Caravelas Mexeriqueiras.
Segundo a observância de ilustrações que chegaram até hoje,
indiciam que as Caravelas terão usado dois sistemas de colocação
das velas: por dentro e por fora das enxárcias. Tudo indica que
a colocação por dentro foi introduzida pelos portugueses, para
facilitarem a manobra de mudança da rota do navio, quando
navegavam contra o vento. Uma coisa é certa: até ao virar do
século XIX, em navios com ocupações diferentes, os dois sistemas
coexistiram, sem se excluírem mutuamente.
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CARAVELA “BOA ESPERANÇA”
Réplica da Caravela Oceânica Portuguesa do
século XV. Projecto do c/ Alm. Rogério de Oliveira ECN.
Construída no estaleiro de Samuel & Filhos em Vila do Conde.
Lançada à água em 28 de Abril de 1990. Propriedade e operação da
Região de Turismo do Algarve. |
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| Ficha Técnica: |
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Dimensões |
(m) |
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Mastro |
Grande Mezena |
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Comprimento |
23,8 |
Altura |
18 |
16 |
| Boca |
6,6 |
Verga |
26 |
20 |
|
Calado |
3,3 |
Vela(m2) |
155 |
80 |
| Alojamento: 22
pessoas |
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Madeiras
utilizadas:
Pinheiro bravo: Forro, Borda falsa, Sobrequilha
Carvalho e sobro: Balizas
Cambola: Convés e Tombadilho
Pinho de Riga: Mastros e Vergas |

Réplica




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